Luz e cor
Aula 6 de 22 do curso “Vídeo com IA sem flop”. Grátis, com animações e teste.
Luz dura e suave
A primeira coisa que diz ao cérebro “isso foi filmado, não desenhado” é a luz. A luz tem personalidade. Uma fonte pequena (sol do meio-dia, lâmpada nua) dá luz dura: sombras nítidas, contraste forte, imagem dramática. Uma fonte grande (céu nublado, janela com cortina, softbox) dá luz suave: sombras delicadas e pele bonita. Por padrão, os modelos costumam iluminar tudo por igual e de todos os lados, e daí vem o famoso “visual de IA”. Por isso a luz sempre entra no prompt: “soft diffused window light” ou “hard midday sun, crisp shadows”.
Hora do dia
Fotógrafos planejam ensaios para a hora dourada: mais ou menos a hora depois do nascer e antes do pôr do sol. O sol está baixo, a luz é quente e suave, as sombras são longas e a pele brilha. Terrence Malick filmou boa parte de “Cinzas no Paraíso” (1978) exatamente nesse horário, e o filme levou o Oscar de fotografia. A hora azul é o crepúsculo logo após o pôr do sol: céu frio e janelas acendendo. O meio-dia dá luz de cima, sombras curtas e duras, olhos na sombra. Uma equipe de verdade tem uns quarenta minutos de hora dourada; na IA ela é grátis: escreva “golden hour”.
Luz de três pontos
É o esquema básico de qualquer entrevista ou anúncio. A luz principal, geralmente a 45° de lado, desenha o rosto. A de preenchimento vem do outro lado, mais fraca, e decide o quão escuras ficam as sombras: pouco preenchimento é drama, muito é anúncio claro. A contraluz vem de trás e desenha um contorno claro no cabelo e nos ombros para o personagem não se misturar ao fundo. O segundo truque é a luz motivada: a luz tem uma fonte clara dentro do quadro. Kubrick filmou cenas de “Barry Lyndon” à luz de velas de verdade com uma lente superluminosa, e ainda parece viva. No prompt, diga a fonte: uma janela, um letreiro de neon, a tela do celular.
Pele sem plástico
O que mais entrega pessoas de IA é a pele: lisa demais, uniforme e brilhante, como de boneca. Os modelos aprenderam com toneladas de fotos retocadas, então “perfect”, “flawless”, “8k” e “masterpiece” puxam a imagem para o brilho e o render 3D. Quem faz gerações realistas faz o contrário: pede imperfeição. Escreva “natural skin texture, visible pores”, junte detalhes como sardas ou um leve rubor e finalize com “subtle film grain” ou “shot on 35mm film”. O grão funciona como cola: esconde pequenos artefatos e faz o quadro parecer filmado.
Correção de cor e paleta
A correção de cor é o tom geral do vídeo inteiro, e ela define o clima antes de o público entender a história. Teal & orange (pele quente, sombras turquesa) é a linguagem dos blockbusters: a pele salta do fundo. Filme quente é nostalgia e verão. Noite neon é energia e cidade. Cores dessaturadas são calma e marca premium. A regra na IA: escolha 2–3 cores e escreva do mesmo jeito no prompt de cada plano. Senão um plano sai azul, outro amarelo, e o anúncio parece colagem de vídeos dos outros.
O que tirar do quadro
O modelo vê palavras, não negações. Escreva “no neon signs” e o neon pode aparecer, porque a palavra “neon” já está lá. O guia de prompts do Google para o Veo recomenda não escrever “no” e “don’t”: o indesejado é só listado no negative prompt. Então no prompt principal descreva o necessário: não “sem placas”, e sim “uma rua residencial escura com postes de luz quente”. Para o lixo existe um campo separado, negative prompt, que o Kling e o Wan têm, por exemplo: lá entram pele de plástico, rabiscos no lugar de letras, dedos a mais, luz estourada e cara de desenho.
Moodboard em vez de palavras
Palavras como “aconchegante” e “estiloso” significam algo diferente para cada um, mas uma imagem todo mundo entende. Profissionais começam pelo moodboard: 4–6 quadros de referência, uma paleta de cinco cores e umas palavras sobre textura. A Mira montou o dela para o drop de moletons: concreto, asfalto molhado, pôr do sol lateral, grão de filme. Depois, um truque simples: primeiro gere um quadro perfeito num modelo de imagem e depois dê vida a ele com image-to-video. A luz e a cor já ficam travadas no quadro, e o vídeo as mantém. Use referências suas ou com direitos, para não copiar o anúncio de outra pessoa plano a plano.
Teste-se
- A Mira filma o moletom num terraço, mas o vídeo parece chapado e “muito IA”. O que ela coloca primeiro no prompt?
Resposta certa: “golden hour, low warm sun from the side, long shadows”. O chapado vem da luz vinda de todo lado. Luz baixa e direcional dá volume, sombras e pele quente na hora. - O close do rosto parece uma boneca de plástico. O que mudar?
Resposta certa: Tirar “flawless” e pôr “natural skin texture, visible pores, subtle film grain”. O plástico nasce das palavras de perfeição. Pedir poros e grão devolve a textura de pele real. - O anúncio tem três planos: um azulado, um amarelo, um neutro. Juntos parecem uma colagem. Como resolver?
Resposta certa: Copiar um mesmo bloco de luz e paleta nos três prompts. O vídeo parece uma coisa só quando todos os planos têm a mesma luz e paleta. O mais fácil é manter esse texto idêntico. - A Mira escreve “no neon signs, no text” e aparecem ainda mais letreiros de neon. O que fazer?
Resposta certa: Descrever o que quer: “dark residential street, warm streetlamps”, e pôr neon e texto no campo negativo. O modelo se agarra a “neon” e “text”. Descrever a cena desejada e usar o campo negativo tira o excesso.