brainax

Baleias e fluxos de exchanges

Aula 7 de 12 do curso “Análise”. Grátis, com animações e teste.

On-chain: tudo à vista

Você já viu macro e alavancagem. Agora vamos olhar dentro da blockchain: um registro público e compartilhado de todas as transferências. Cada entrada é visível para todos: de onde, para onde, quanto e quando. Não há nomes, só endereços, códigos longos tipo 0x3a…. A análise on-chain lê esse registro e procura baleias: donos de valores muito grandes. Uma única transferência delas pode pesar como milhares de pequenas.

Exchange, carteira, blockchain

Três palavras que você precisa para tudo o que vem depois. Exchange: um serviço onde se compram e vendem moedas; enquanto estão lá, quem guarda é a exchange. Carteira: um lugar onde só você tem as chaves das suas moedas, então só você pode enviá-las. Blockchain: o registro compartilhado onde cada transferência é anotada. Carteira fria: uma carteira sem conexão com a internet, usada para guardar moedas por muito tempo.

Mapa de fluxos: para e da exchange

Para vender moedas, normalmente elas vão primeiro para uma exchange, porque é lá que se vende. Por isso uma grande transferência para a exchange é lida como possível venda (vermelho no mapa). Um saque da exchange é lido como ida para guarda, por exemplo uma carteira fria (verde). Faz sentido, mas é uma pista, não um veredito: alguém prepara um movimento, e qual ainda precisa ser checado.

Fluxo líquido: o saldo do dia

Fluxo líquido: quantas moedas entraram nas exchanges menos quantas saíram. Exemplo: em um dia entraram 12.000 BTC e saíram 15.000 BTC. Conta: 12.000 − 15.000 = −3.000 BTC. Negativo significa que há menos moedas nas exchanges, ou seja, menos prontas para venda. Positivo, mais. Um dia só pode ser acaso, então olhe vários dias seguidos.

Saldo das corretoras: 30 dias valem mais que um

Além dos fluxos, olhe os saldos: quanto BTC está nas grandes corretoras, como Coinbase, Binance, Bitfinex, Kraken e OKX, em 1, 7 e 30 dias. Exemplo: Coinbase −2,4% em 30 dias, ou seja, tem 2,4% menos BTC. Moedas saindo da corretora significam menos à mão para vender. Um dia é ruidoso, 30 dias é mais honesto. Mapas de fluxo, maiores transferências e saldos das corretoras estão disponíveis de graça.

Whale Alert e Whale Bot Alerts

Alerta é uma mensagem automática sobre um evento. O Whale Alert manda alertas no Telegram sobre grandes transferências: moeda, valor, de onde e para onde. O Whale Bot Alerts faz o mesmo no X. Em cada alerta veja três coisas: tamanho, direção (para a exchange, da exchange ou entre carteiras) e se isso se repete várias vezes seguidas. Exemplo da imagem: 1.500 BTC de uma carteira desconhecida para uma exchange.

Arkham e CryptoQuant: quem é

Um endereço sozinho não diz nada. O Arkham Intel rotula endereços: fundo, market maker (empresa que coloca ordens de compra e venda o tempo todo) ou pessoa conhecida. Também mostra as grandes operações deles, a partir de uns $50k. O CryptoQuant mostra fluxos de exchanges e dados dos mineradores, quem produz BTC novo. Se eles mandam bem mais BTC para exchanges, a pressão de venda pode crescer.

Erros comuns

Uma grande transferência para a corretora nem sempre é venda. Pode ser garantia para futuros (apostas no preço com alavancagem) ou uma troca entre carteiras da própria corretora. Outra armadilha: num token ilíquido, que pouca gente negocia, o valor em dólar pode estar inflado. Ele é calculado pelo último preço, mas não dá para vender tanto a esse preço. Bons serviços avisam isso bem ao lado do valor.

Como confirmar o sinal

Um fluxo é uma pista; busque confirmação em três lugares. Preço: ele cai depois que moedas entram nas exchanges? Funding: um pagamento entre longs (apostas na alta) e shorts (apostas na queda) em futuros perpétuos. Muito positivo: os longs pagam aos shorts e a multidão está superaquecida. Volume: quanto foi negociado no total no período. Resumindo: uma transferência não é sinal, três coisas batendo já formam um quadro.

Teste-se

  1. Qual é o fluxo líquido e o que significa?
    Resposta certa: −3.000 BTC: menos moedas nas corretoras. Fluxo líquido = entrou − saiu: 5.000 − 8.000 = −3.000 BTC. O negativo mostra menos moedas nas corretoras, menos à mão para vender. Um dia assim diz pouco; o que importa é a sequência de dias.
  2. Como ler isso?
    Resposta certa: Talvez prepare uma venda, precisa de confirmação. Para vender, as moedas costumam ir primeiro para a corretora, então essa transferência sugere uma possível venda. Mas pode ser garantia de futuros ou uma reorganização. Busque confirmação no preço, no funding e no volume: uma transferência ainda não é sinal.
  3. O que ajuda a saber o quanto isso importa?
    Resposta certa: Checar os rótulos dos endereços, por exemplo no Arkham: fundo, corretora ou market maker. Um endereço sozinho não diz nada; um rótulo muda tudo. Se 0x91…0c é uma corretora, parece preparo de venda. Se é a carteira fria de um fundo, provavelmente vai para guarda. O Arkham Intel identifica endereços e mostra as grandes operações deles, a partir de uns US$ 50 mil.
  4. Qual é a pegadinha?
    Resposta certa: O valor está inflado: não dá para vender tanto pelo último preço. O valor em dólar usa o último preço. Mas US$ 30 mi é 150 vezes o volume diário (30.000.000 / 200.000 = 150): ao tentar vender, o preço despencaria muito antes do fim. O valor real é bem menor que a manchete.

← Dinheiro dos fundos: ETFs e prêmio Coinbase Dinheiro inteligente e raio-x de carteiras →