Sua primeira transferência: endereço, rede, gás
Aula 9 de 58 do curso “Cripto”. Grátis, com animações e teste.
O endereço: para onde mandar
O endereço é o número público da sua carteira. Pode compartilhar sem medo, como uma chave Pix. Ele muda de blockchain para blockchain. No Bitcoin começa com bc1, 1 ou 3. No Ethereum começa com 0x e tem 42 caracteres. Boa notícia: o mesmo endereço 0x funciona em todas as redes EVM, ou seja, compatíveis com Ethereum, como Arbitrum, Base, BNB Chain e Polygon. O endereço não é segredo; a frase-semente é.
A rede importa mais que a moeda
A mesma moeda vive em redes diferentes. O USDT, por exemplo, existe no Ethereum, Tron, Solana, BNB Chain e outras. Ao enviar, importa não só o “quê”, mas também “por qual rede”. Se você manda pela Tron e quem recebe espera Ethereum, o dinheiro não cai onde ele espera. Às vezes a corretora recupera com taxa; às vezes, nada feito. Regra: quem recebe diz a moeda e a rede, e você escolhe exatamente essas.
Gás: a taxa para gravar
Gás é a taxa da rede para gravar sua transferência num bloco. Paga-se na moeda nativa da rede: ETH no Ethereum e na maioria das suas L2, SOL na Solana, TRX na Tron, BNB na BNB Chain. Armadilha clássica de iniciante: 100 USDT no Ethereum, zero ETH, e nada sai do lugar. Deixe um pouco da moeda nativa em cada rede onde você tem dinheiro. O preço do gás varia: quando a rede está cheia, ele sobe.
A transferência de teste
Os profissionais fazem assim: primeiro um valor pequeno, depois o resto. Depois do envio, a transferência tem um hash (tx hash), o número único dela. Cole num explorador de blocos: Etherscan para Ethereum, Solscan para Solana, Tronscan para Tron. Success quer dizer que já está num bloco. Pending, que ainda está esperando. Quem recebe confirmou que viu? Agora mande o valor principal. Uma taxa a mais no teste sai mais barata que perder dinheiro.
Armadilha: o endereço envenenado
Golpistas criam um endereço cujo começo e fim batem com um para o qual você mandou dinheiro há pouco, e mandam dele uma transferência minúscula. Ela entra no seu histórico. Na próxima vez, você copia o endereço do histórico, confere só os primeiros e últimos caracteres e manda o dinheiro para o golpista. Em maio de 2024, alguém perdeu assim 1.155 WBTC, cerca de US$ 68 milhões. Esse caso terminou com devolução; quase nunca se tem essa sorte. Copie endereços só de fonte confiável e confira inteiros.
Teste-se
- Um amigo pede USDT e passa um endereço na Tron. O que escolher no envio?
Resposta certa: USDT e exatamente a rede Tron. A rede precisa bater com a que quem recebe informou. Outra rede é risco de perder o dinheiro. - Você tem 50 USDC na Base, mas a transferência falha: “saldo insuficiente para o gás”. Por quê?
Resposta certa: Não há ETH na Base, e o gás é pago em ETH. A Base é uma L2 do Ethereum, e o gás lá é pago em ETH. Uns dois dólares em ETH cobrem muitas transferências. - No histórico, um endereço parece o certo: mesmos primeiros e últimos caracteres. O que fazer?
Resposta certa: Pegar de novo o endereço com quem recebe e conferir inteiro. É o golpe do “envenenamento de endereço”. Aos golpistas bastam alguns caracteres iguais.
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