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Fakes, rótulos e direitos

Aula 12 de 13 do curso “Imagens e slides com IA”. Grátis, com animações e teste.

O papa de puffer

Em março de 2023 rodou as redes uma foto do papa numa jaqueta puffer branca estilosa. Milhões acreditaram, jornalistas inclusive. Foi feita no Midjourney por Pablo Xavier, um operário de 31 anos de Chicago, só de brincadeira. Desde então os modelos ficaram muito mais realistas. Conclusão: “parece foto” não prova mais nada. E se você cria imagens, também responde por como serão entendidas.

Como checar uma imagem

Procurar seis dedos já quase não adianta: modelos de 2026 desenham bem as mãos. É mais confiável checar a origem. Quem postou primeiro, e está em veículos sérios? A busca reversa no Google Lens ou Yandex Imagens muitas vezes acha o original ou um desmentido. Se suspeitar da IA do Google, suba a imagem no Gemini e pergunte: ele verifica a marca invisível SynthID. Letras e fundos estranhos são pistas, não provas. Sem certeza? Não reposte.

Marcas de IA

Os serviços marcam suas imagens de três jeitos. Legenda ou selo visível: honesto, mas fácil de cortar. Metadados C2PA, uma espécie de passaporte do arquivo com o histórico. O ChatGPT, por exemplo, adiciona, mas somem num print ou ao salvar de novo. E uma marca d’água invisível nos próprios pixels, como o SynthID do Google: mais difícil de tirar. Nenhuma marca é perfeita, então checar a fonte continua necessário.

Rotulagem e a lei

Na UE, o artigo 50 da Lei de IA vale desde 2 de agosto de 2026. Quem publica um deepfake realista, isto é, uma imagem de IA fácil de confundir com real, deve revelar isso. Vale não só para pessoas, mas também para objetos e lugares. Serviços já no mercado têm até 2 de dezembro de 2026 para embutir a marcação legível por máquina. YouTube, TikTok e Instagram também pedem para marcar conteúdo realista de IA. Outros países têm regras próprias, então o hábito de rotular com honestidade poupa dor de cabeça em todo lugar.

Direitos autorais

Dá para proteger com direito autoral uma imagem feita por IA? Em janeiro de 2025 o Escritório de Direitos Autorais dos EUA escreveu num relatório que só o prompt não basta para ser autor. Em março de 2025 um tribunal de apelação dos EUA confirmou: obra sem autor humano não tem direito autoral. E em junho de 2025 Disney e Universal processaram a Midjourney por imagens de seus personagens. Daí duas regras: não venda personagens e marcas alheios, e coloque o seu: montagem, edição, texto, fotos.

Uma foto de produto honesta

Para a loja da Liya o maior risco não é processo, é a confiança dos clientes. Se na foto com IA a vela parece maior, mais viva e mais lisa que na vida real, vêm devoluções e avaliações bravas, e os marketplaces podem tirar o anúncio. A versão honesta: a vela real, com fundo, luz e clima da IA. Tamanho e cor reais, pelo menos uma foto real e uma nota curta “fundo criado com IA”. Beleza vende uma vez; honestidade, sempre.

Teste-se

  1. Qual o jeito mais confiável de checar se uma foto viral é real?
    Resposta certa: Achar a fonte original e fazer busca reversa. Checar a origem é mais confiável do que caçar erros que os modelos de 2026 quase não cometem.
  2. Por que os metadados C2PA não garantem que a imagem de IA seja reconhecida?
    Resposta certa: Somem num print ou ao salvar de novo. São dados do arquivo, não dos pixels, então salvar de novo apaga.
  3. A Liya quer vender velas com personagens da Disney feitos por IA. O que há de errado?
    Resposta certa: Os personagens são da Disney; a IA não muda isso. Personagens e marcas alheios são protegidos, e Disney e Universal já processam a Midjourney.

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