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Checagem: o agente checador

Aula 7 de 22 do curso “Agentes para a vida”. Grátis, com animações e teste.

Erro confiante custa caro

A IA erra num tom calmo e confiante, e isso sai caro até para gigantes. Em fevereiro de 2023 o Bard, do Google, errou um fato sobre um telescópio espacial bem no vídeo promocional, e a Alphabet perdeu cerca de US$100 bilhões em valor em um dia. Em 2023, advogados americanos citaram no tribunal casos que o ChatGPT tinha inventado e levaram multa de US$5 mil. Em outubro de 2025 a Deloitte aceitou devolver parte de A$440 mil por um relatório para o governo da Austrália: nele havia uma citação inventada de uma decisão judicial e referências a estudos que não existem.

Por que a IA mente com confiança

O modelo não procura a verdade na cabeça. Ele continua o texto para soar plausível. Se você pede três estudos com links, uma resposta plausível são três sobrenomes, anos e links bonitinhos. Se existem ou não, o modelo não vai checar sozinho, a menos que tenha busca ou você peça. Isso se chama alucinação. Por padrão ele não tem um sinal interno de «não tenho certeza»: fato inventado e fato real soam igual. Por isso se checa a fonte, não o tom.

Sinais de alerta

Checar tudo demora, então procure primeiro os sinais de alerta. Sem link, ou o link não abre, ou leva para a página inicial em vez da matéria. Um número muito exato tipo «73,4% dos estudantes» sem fonte. Uma citação redonda e conveniente demais. Um fato «novo» citando algo de três anos atrás. Nenhum sinal prova mentira, mas cada um diz: comece a checar por aqui. Os advogados de 2023 tinham o sinal na cara: casos que nenhuma busca jurídica encontrava.

Cheque em 3 passos

Achou um sinal? A checagem leva uns dois minutos. Passo um: abra o link e confirme que a página existe e é a matéria certa. Dois: ache o número ou a citação com a busca na página, Ctrl+F no computador ou «Localizar na página» no celular. Se não estiver lá, já é a resposta. Três: veja quem escreveu e quando. Site oficial e data recente, ótimo. Anônimo e de cinco anos atrás, procure outra fonte. É assim que jornalistas checam, e era assim que a equipe da Deloitte devia ter checado o relatório.

Um segundo agente como crítico

Dá para passar parte da checagem a um agente, só que outro. O guia da Anthropic sobre agentes descreve esse esquema: um agente escreve, outro avalia e devolve observações, e assim em ciclo até o resultado ficar bom. Por que outro? O autor tem certeza do próprio texto e não vê os erros. Um crítico num chat novo olha com olhos frescos e procura só erros. Importante: o crítico também pode errar. Ele afunila, mas a checagem final dos fatos mais importantes é sua.

Faça você: o agente checador

Pegue qualquer texto em que a precisão importa: seu trabalho da faculdade, o relatório da aula passada, um post que você quer repostar. Abra um chat novo com busca na internet e cole o briefing abaixo e, embaixo dele, o texto. O agente lista cada afirmação checável e põe um selo. O principal do briefing é o «nunca»: ele não corrige nada sozinho nem inventa. Se não achar a fonte, diz isso. A Liza passou o trabalho dela assim e achou duas citações que não estavam nas fontes. Conferiu na mão, reescreveu e entregou tranquila.

Teste-se

  1. O que ele deve fazer primeiro?
    Resposta certa: Abrir o link e achar o número na página. Número exato sem confirmação é sinal de alerta. Checar o link leva um minuto e dá uma resposta de verdade.
  2. Por que é melhor checar num chat novo?
    Resposta certa: O autor tem certeza do texto, e o crítico olha com olhos frescos. É o esquema «autor e crítico» do guia da Anthropic: quem avalia não é quem escreveu.
  3. O que deu errado?
    Resposta certa: Deixaram o agente corrigir sozinho e ele disfarçou uma lacuna. Um checador que edita o texto transforma «não achei» numa nova invenção. Por isso o briefing diz «não corrija nada e não invente».
  4. O que fazer?
    Resposta certa: Achar a citação na fonte original antes de repostar. Citação perfeita demais e sem link é sinal de alerta. Se não está em nenhuma entrevista nem livro, provavelmente nunca foi dita.

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